Chamados opinar sobre um quadro apresentado por um programa de TV, em que cenas de assassinatos se misturavam com golpes e outros atos desonestos, a manifestação dos telespectadores, segundo o apresentador, foi de total aprovação aos protagonistas, que pela astúcia e indignidade, acabam por ser aclamados como heróis não importando no julgamento os meios ilícitos, tão banalmente usados. Assim os fins justificariam os meios?
Ora, é merecedora de reflexão séria esta decisão. Será que a moral e dignidade, atributos essenciais a uma sociedade de povo civilizado, está tão em baixa assim? Programa deste jaez, não será prejudicial, sobretudo àqueles que ainda estão no afã de encontrar seus ídolos, que possam tomar como exemplos de vida?
Sem o desejo de parecer como “paladino da moral e bons costumes”, é de se arriscar dizer, que com certeza muitos observadores mais atentos, ficaram estupefatos e preocupados com o apresentado.
Os meios de comunicação de massa como a TV, deveriam inverter certos procedimentos e, sem deixar de mostrar a realidade, indicar os comportamentos deploráveis e que estes, são sempre destinados ao fracasso (o crime não compensa). Jamais o enredo em imagens (nu e cru) deveriam passar para o telespectador, quaisquer tipo de incentivo, que possa potencializar instintos de indignidade e imoralidade.
Claro que exaltado deve ser o papel preponderante que a mídia nos propicia, no entanto, não é demais registrar seus pontos negativos (como em toda atividade), sobretudo porque ao público alcançado faltam as informações complementares ao assunto veiculado, cientificando-o das cominações legais que hipoteticamente adviriam da conduta criminosa e/ou imoral assumida, ou seja, as conseqüências do ato.
Assim, para melhor juízo dos telespectadores sobre os polêmicos assuntos abordados nos programas, seria de bom alvitre um maior empenho em esclarecer ao publico sobre o que é moral e imoral.
Pará, há anos que vens sendo espoliado, logrado e enganado.
Espoliado, quando levaram daqui tua borracha, juta, malva, madeira, sementes oleaginosas, quando acabaram com a grande frota da tua navegação, com a Estrada de Ferro de Bragança e, considerando os “bravos” Catalinas ultrapassados, estes daqui também foram retirados. Antes ainda retaliaram o teu território em território federal “tudo pelo progresso”. De saída o Pará perdeu o Amapá, não recebendo um “tostão furado”. Ressalte-se ainda que do Pará já haviam levado todo o ouro de Calçoene, aliás, assunto muito pouco lembrado.
Logrado, porque tudo ocorreu sorrateiramente sem que a população de então – hoje com a terminologia pomposa de sociedade civil organizada – tivesse sido “ouvida” ou “cheirada”. Eras mero ponto de apoio aos interesses nacionais e internacionais.
Enganado, porque dada a fragilidade do teu poder político e de arregimentação não terias capacidade de reação, a curto prazo, de reverter a situação que se instalara. Os fatos se consumaram.
Contrariando o dito popular de que a sorte só vem uma vez, eis que exatamente no Pará, chega uma segunda vez, com a bauxita em Oriximiná, caulim no Jarí, ouro no Tapajós e
Vã ilusão! Para o Pará e pelo Pará “necas”. Verdade? Claro que sim!
Como nenhuma obrigatoriedade há para os “exploradores”, visando integrar essas riquezas no contexto das dificuldades e agruras do povo, mais uma vez, Pará, ficaste a olhar tristemente, como diria o poeta “vendo a banda passar”.
Das grandes jazidas de bauxita e caulim já em fase adiantada de extração, ficarás mesmo só com os “buracos”, aliás, como ficou o Amapá – outrora pertencente ao Pará – com os do manganês.
O ouro do Tapajós e Serra Pelada.
Itaituba passou a ter a maior movimentação de aeronaves/dia, assim informavam os órgãos de divulgação de todo o Brasil. O governo federal imediatamente traçou “planos” e “estratégias” para a grande transformação que sofrerias e toda a região. Credenciou agentes para compra de ouro etc. etc. Era uma “febre”.
Claro que esta movimentação toda, para o Brasil, não deveria causar qualquer tipo de regozijo exagerado, haja vista que desde Colônia sempre foi a “terra do ouro” – os colonizadores que o digam – com o povo pobre e sacrificado.
E Serra Pelada? Um gigante monolítico indescritível, - assim diziam – todo de ferro e ouro. Tudo seria explorado facilmente1 Até com as mãos o ouro seria apanhado, como areia. Verdadeiras multidões de homens, mulheres, jovens, velhos e crianças para lá foram, para se incluir naquela paisagem de verdadeiro “formigueiro humano”, em busca do cantado El Dourado perseguido por todos os povos há milênios, lembrando até os escravos da Babilônia.
E o que te restou Pará? Quando “exauridas” tuas jazidas, enriqueceste no obituário, na prostituição, falências, lares desfeitos, doenças, rios poluídos, etc.
Carajás. Ferro para abastecer o mundo. Estarias Pará, com a situação em tuas mãos, apregoavam. Não tinhas somente as minas, como também terias o maior porto graneleiro do mundo, e indústrias.
O porto a gente sabe onde está, e o ferro gusa virou coisa “gozada”. Melhor esquecer, pois ninguém vai arrancar os trilhos da estrada de ferro rumo a Itaqui, no Maranhão, tal qual fizeram com a tua Estrada de Ferro de Bragança.
Mas a desdita ainda não terminou.
Lembras quando se discutia os 4 ou 5 anos de mandato para o presidente? Numa calma e morna noite de 1988, se não falha a memória, o próprio anunciou Brasil e ao mundo que no Marajó, precisamente em Breves, tinha sido descoberto uma jazida petrolífera talvez apenas comparada à existente no Mar do Norte e, em conseqüência, lhe foi conferido o 5º ano de governo.
Onde está Pará, esta jazida? Existe ou não?
Registre-se, com propriedade o episódio histórico na segunda interventoria de Magalhães Barata. Em fevereiro de 1943, ele foi chamado a capital, ainda no Rio de Janeiro, para despachar com o presidente Getúlio Vargas, no Palácio do Catete. Lá chegando teria havido o seguinte diálogo entre os dois:
- “Interventor, chamei-o aqui para informar que o Pará doravante irá ter um gigantesco progresso!”.
- “Como assim Excelência?” Disse Barata.
- “É que vamos explorar as grandes jazidas de manganês que “repousam” do subsolo do Amapá”.
- O Interventor muito alegre, respondeu: - “Isso é o que mais nos desejamos, pois assim aquela terra e aquela gente vai ter oportunidade de ver o surgimento de indústrias, comércio e atividades afins que certamente florescerão em torno da região” (não “existia” o termo agregação de valores, agora muito em moda).
O Presidente continuou: “Excelência Interventor: - Quero esclarecer que todo o minério será exportado “in natura”, pois temos que cumprir compromissos externos com o fortalecimento de nossa balança comercial, logo não há previsão, no momento, dessa derivação de atividade”.
Barata observou respeitosamente: “Vossa Excelência é o Presidente e pode fazer o que achar de melhor para o Brasil, mas creia que sou contra essa iniciativa, nestes moldes, por não vislumbrar nada em favor da região, que deveria estar em primeiro lugar. Mas, Vossa Excelência é quem manda, arrematou Magalhães Barata”.
Em setembro do mesmo ano o Presidente Vargas criava o Território Federal do Amapá, dando assim a primeira “bocada” no Pará. O tempo mostrou que Barata estava certo. E assim, Pará, nos continuamos como a terra do “Lave e Leve!”.
PENSANTES E PASSANTES
Oh! Amazônia, porque não te “esquecem”? Seria melhor com certeza, se deixassem seguires o teu curso, já traçado pela natureza, ao invés de ficares exposta a todo tipo de “autênticas piadas sobre ti, representadas pelos tantos “planos” e “muitos projetos” concebidos, a todo instante, sendo que um desconhece o outro, enquanto a população, “impávido colosso”, não tem nenhum conhecimento e fica com aquela sensação de que lhe estão falseando algo, sobretudo a realidade.
Aqui, tudo ou quase tudo, foi centro de quem, sem nenhuma seriedade, resolveu abrir a boca e dizer ou divagar sobre o passado, o presente e nosso futuro. Com a maior sem cerimônia. Além de tudo sem sequer ter entrado em contato com esta região, sua gente, seus costumes e desconhecendo muitas vezes nossas lideranças e os centros de pesquisas, que, ressalte-se, apesar dos pesares, se incluem dentre os melhores.
E, com firmeza, a tudo sobrevivemos e nem tão pouco seguimos a “procissão” das “capacidades”. Sabemos do nosso papel, o que representamos e por isso o povo e as suas lideranças, entre o tratar bem e fazer o que devem, cuidam dentro do possível do real, para desespero e desconforto dos pensantes e passantes.
Lembram daquela “sumidade” que felizmente SUMIU, que alardeou para o mundo que a solução (a salvação) da Amazônia estaria na construção de uma grande represa, à altura de Óbidos ´Pará, inundando assim todo o Vale Amazônico, transformando-o num grande Lago etc, etc?
Vou poupá-los de outras falsas “brilhosas” idéias, situando-me na mais recente, sobre ÁGUA. Diz a ilustre figura: “defende iniciativas públicas no financiamento e na organização de inovações tecnológicas que permitam a transposição de água do bioma amazônico para o semi-árido nordestino. A água transportada renderia dividendos não só aos investidores públicos e privados, mas também aos Estados detentores do ativo físico”. Diz: “Numa região (a amazônica sobra água inutilmente. Na outra região (o semi-árido), falta água, calamitosamente”.
Isto é sério? Quais foram os estudos feitos sobre a questão? De onde surgiu esse “projeto” fartamente publicado pela nossa imprensa?
Aliás, na década de 70 se falou muito da interligação das bacias do Tocantins, Araguaia, Xingu, Tapajós e Madeira, como forma de, através, da “projetada” Transamazônica, interligar a Amazônia com o resto do País, sobretudo com o nordeste, tanto que o marco Zero da mesma é em Picos, no Piauí . Foi feita a interligação? E aquele “chute”, do sociólogo sobre a Hidrovia Araguia x Tocantins ou vice versa? E o petróleo de Breves, que o hoje grande Senador da terra do “ex-manganês”, anunciou lá por 1987, afirmando inclusive que aqui seria outro Mar do Norte? Bem, chega, prometi não chateá-los!
Por isso tudo digo, nos deixem em paz, por favor, já não temos mais medo de visagem. Já vai bem longe essa época.
Mensagem pelo aniversário de Belém, no próximo dia 12 de janeiro
Belém, meu amor
Há 55 anos quando te conheci, senti que me encantaste. Tua silhueta, na medida em que o B/M “Aquidaban”, se aproximava, me causava forte sensação. Foram momentos inesquecíveis de minha vida. O “alvoroço” dos passageiros a bordo era grande, todos se preparando para saltar na grande capital paraense.
A primeira vista que guardo de ti, é da Cidade Velha, começando pelo arsenal de Marinha. Aí veio a imponente Torre da Sé, Forte do castelo, para finalmente, ultrapassando o Ver-o-Peso atracar no cais nº 4, próximo à Escadinha da então Avenida 15 de agosto.
Todos ávidos por verem parentes e amigos que deveriam estar aguardando nossas chegadas. Era muita gente. As aulas estavam prestes a iniciar. Isso se passava exatamente no dia 18 de fevereiro de 1953.
Eu, como marinheiro de primeira viagem, também, esperava alguém para acompanhar-me até a “República” onde ficaria morando, Mas, qual! Meio decepcionado, peguei um táxi e rumei para o endereço onde iria ficar.
No trajeto já comecei a sentir que ia ter uma grande ligação contigo Belém. O teu casario, as tuas ruas ainda todas em paralelepípedos (com os trilhos dos antigos bondes à vista ), Tuas frondosas mangueiras, tuas praças bem tratadas, os “clipers” que abrigavam a população que buscava transporte, teu comércio variado, tuas igrejas, enfim, tudo começava a me encantar e dar-me a sensação de que era um amor à primeira vista: do migrante oriximinaense recém-chegado, com a bela Cidade pórtico da Amazônia.
Nas primeiras semanas comecei a percorrer teus pontos mais importantes, enquanto ainda não estava empregado e nem estudando.
Tuas igrejas, Basílica, Sé e tantas outras. Quanta imponência. Olhando a abóbada da Sé, me informaram que um daqueles afrescos simbolizava Padre Antônio Vieira, proferindo seus famosos sermões.A Basílica, me trouxe a memória, meu pai que tanto falava sobre ela, lá em Oriximiná.
Museu Emílio Goeldi, Bosque Rodrigues Alves, Praça da República, Avenida 15 de Agosto e Independência com seus canteiros centrais, (hoje Avenida Presidente Vargas e Magalhães Barata, respectivamente), Estrada de Ferro Belém-Bragança. Eram muitas alegrias juntas. E os colégios? Fascinantes! Pena que para as minhas posses eu teria que me contentar com algo mais modesto e ainda pelo turno da noite, para poder trabalhar de dia.
Entusiasmado, escrevi minha primeira carta para meus pais e manos, narrando o que podia e já dando notícias do meu irmão que quando aqui cheguei estava doente e dos meus primos (morávamos na Nossa República). Já imaginava a alegria de minha mãe também conhecendo Belém.
Relatei em especial, as chuvas, que refrescam e umedecem o solo de Belém. O clima gostoso (nem tanto ao mar, nem tanto a terra), dando aquela sensação de calor humano que tanto a cidade transmite.
Mas já estava decidido. Não te abandonaria mais, Belém. O sentimento inicial de bem querência se avolumava e eu mais do que nunca, me orgulhava de ter sido acolhido por ti, oh! Querida Belém. Nunca reneguei o lugar que nasci: Lago de Sapucuá, em Oriximiná – Pa, mas posso afirmar que amo o Sapucuá, lá em Oriximiná, assim como Belém e toda a minha região do Baixo Amazonas.
Aqui casei, poucos anos depois de minha chegada. Terezinha, minha companheira de 50 anos, comigo subiu os degraus da Sé, para o juramento, perante Deus, por uma união eterna, “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”. E tu Belém, agaslhaste ainda, os 6 (seis) queridos filhos que tivemos, que hoje já nos deram muitos netos.
Belém, que a hospitalidade, o amor e o trabalho, formem o teu brasão, reafirmando a tua vocação de cidade acolhedora e capaz de enamorar à primeira vista, aqueles que têm a ventura de te conhecer.
E AGORA ?
Certamente que no decorrer das festas de Natal e Ano Novo, foram feitos muitos propósitos de mudança de comportamento, visando entrar 2008, ZERADO perante Deus e os homens.
Bondade, fraternidade, solidariedade e honestidade, foram os adjetivos mais pensados e imaginados. Maldade, nunca mais! Exclamava o mais radical. Agora estou “noutra”, afirmava outra conhecida figura.
Agora, passada a euforia própria da época, já em pleno janeiro, muitos “pensando melhor”, continuam “tal e qual”. Será que tudo foi esquecido? Ou é difícil mesmo fazer a trilha do bem?
Sem dúvida alguma. Por isso é que boas ou más ações, não são valorativas, quando de “temporada”. Tem que ser qualidades inerentes ao caráter do homem, em sentido permanente.
Tomando apenas o adjetivo bondade como mote, é bom saber, que este não está restrito aos gestos de tolerância pessoais, mas sim na firmeza devida com a verdade e logicamente no papel exercido como cidadãos ou cidadãs.
Ser autêntico, correto, corajoso, é dar lição de bondade sim. O que não pode é essa bondade estar escondendo sob o seu manto, a hipocrisia, a vilania, às segundas intenções, causadoras de graves e irreparáveis danos à sociedade.
E agora, que tantos bons pensamentos foram elevados, com juras de mudanças de comportamento só existe o caminho pedregoso da verdade, como o único capaz de redimir os atos condenáveis e indevidos praticados.
Se assim não for a conduta dos “arrependidos de final de ano” piorada fica a situação de cada um, acrescido do crime e pecado, dos mais graves, ou seja, o perjúrio.
- “Você ensina melhor o que mais precisa aprender”, diz Richard Bach. Portanto, aprender primeiro para depois ensinar, valorizando a ação e não a fala ou apenas o pensamento.
Repensar tudo o que foi imaginado no final de 2007, deverá ser um gesto que por si só representará o instrumento apropriado para redimir o que foi tentado passar como “verdadeiro” perante a consciência, com a qual se deve estar em paz, pois segundo o dito popular, ela, a consciência, é a própria voz de Deus.

Muitos programas e projetos foram "pensados" para a Amazônia, e não podemos concordar que tenham, em sua grande maioria, alcançado os objetivos aguardados por sua população. Mas sua gente é como a forte correnteza do grande Amazonas: remove e renova o leito de seus rios e afluentes, como revigora e renova a sua esperança. E segue o exemplo da própria natureza, que, representada pelo fenômeno fantástico da pororoca na embocadura do grande rio-mar, que esta a dizer, através de suas águas revoltas, que esta terra não e para ser usada e abusada por outra gente, que não nos, os nativos, que nascemos, vivemos e trabalhamos nesta região. Aliás, 0 rio Amazonas foi o último rio brasileiro aberto à navegação estrangeira pelo imperador D. Pedro II, já que o mesmo se negava em faze-lo, de vez que a proposta americana permitia a abertura apenas dos rios Mississipi e Missouri, deixando de fora 0 São Lourenço, rico em ouro e outros minerais nobres, que caíam de suas barrancas.
Assim, nos novos dias que o Brasil esta vivendo, nós, amazônidas, não esperamos que o Programa Fome Zero realize para as populações do sertão e ribeirinha somente distribuição de alimentos. Queremos, sim, uma política diferenciada, nos setores pesqueiro e agrícola, porque a política da pesca, válida para a costa brasileira e para outras paragens, não e adequada à Amazônia, onde 0 que nós, caboclos, precisamos é de crédito e de meios indispensáveis para nossa pesca, para nosso consumo e para o escoamento do excedente de nossa produção. Mais que isso, precisamos "botar pra correr" daqui aqueles que adentram nossos rios, em sofisticados barcos, mas impróprios e ilegais, com equipamentos que dizimam nossos cardumes e nos deixam impotentes para tomada de qualquer ação repressiva.
Nossos municípios não são dotados de frigoríficos, nem tampouco de meios de escoamento. O que é um absurdo, considerando nossa imensa área piscosa.
Quanto à nossa agricultura, pelo amor de Deus, não pode ser confundida com a do sul, sudeste e centro do Brasil, de vez que o volume de nossas águas, acrescido da riqueza das imensas áreas de nossas várzeas, onde "tudo 0 que se planta dá", acabam por diferenciar, não só o plantio, como a colheita e o escoamento do que se produz.
O tempo urge e a necessidade preme.
Por isso, nesse campo, grandes debates são desnecessários. Desde os idos das décadas de 40 e 50, em caráter experimental, o Instituto Agronômico do Norte - IAN, através de Felizberto Camargo, desenvolveu trabalhos envolvendo abertura de canais, etc., à margem esquerda do rio Amazonas, que possibilitaram 0 plantio de diversas culturas, sobretudo do arroz, as quais produziram respostas altamente significativas. Tais trabalhos, hoje complementados com o projeto agrícola JARI, o.qual incorporou novas técnicas desenvolvidas pela EMBRAPA e pela FCAP (atual UFRA), evidentemente não deixam qualquer dúvida de que pode se tomar realidade 0 que vem sendo cantado em versos e prosas: A Amazônia é o celeiro do mundo. Mas, que seja, antes de tudo, o celeiro do Brasil, para os brasileiros.
Nessa despretensiosa descrição "en passant", nao há referência nem sequer à nossa vocação centenária para a criação do gado vacum, hoje mais desenvolvido no sul do estado, em moderno sistema de criação intensiva, enquanto, nas nossas várzeas, mantemos significativos rebanhos criados em sistemas extensivos. Afora isso, existe a riqueza dos nossos frutos silvestres, sub aproveitados por falta das mais variadas condições apropriadas de colheita, manuseio e escoamento para centros que possam aproveitá-Ios, evitando imensas perdas na própria floresta, ou durante esse processo.
Registre-se, ainda, que, enquanto na Austrália se criam apenas 4 ovelhas/ha de terra, há estudos demonstrando que, em nossos campos, situados na divisa do Brasil com as antigas Guianas, há condições de se criar 8 rezes vacum/ha, campos esses que estão situados a apenas
Logo, precisamos de poucas, porém eficazes, ações para que o elogiavel projeto Fome Zero seja zerado na Amazônia. Mas, sejamos breves!
NATAL
Quantas alegrias e esperanças renovadas. Compreensão e amor. Os propósitos e juras são os mais belos possíveis. Tudo é Jesus. Abraços e beijos
Os melhores trajes sendo usados. A conversa é geral, mas aqui e ali dá pra entender alguns mexericos. O lugar destinados aos presentes, que depois serão entregues aos amigos “ocultos”, está tomado.
Até sobre a vida de Jesus, alguns se aventuram
Na proporção que chegam os convivas, as conversas ao pé-de-ouvido aumentam (as tesouras). - Aquele ali, não tem “simancol”, dizia um dos presentes, quando adentrava no recinto, conhecida figura, que ao olhar para o salão já repleto, diz para a sua companhia, - "Mas olha ali aquele cara-de-pau. Pensei que não tivesse coragem de vir aqui". E assim o importante “papo” nos grupos formados, furam noite a dentro.
Já com alguns casais dando os primeiros passos no salão, sob os acordes da orquestra, responsável pelos magníficos arranjos musicais, o anfitrião, muito polidamente, pede licença para dirigir algumas palavras. Chama para o seu lado a elegante esposa e os queridos filhos (a sogra, esquecida, ficou fula da vida) e começa a falar, dizendo do prazer de ter ao seu lado tão queridas pessoas, a quem desejava uma Feliz Natal
Antes de encerrar suas palavras vibrantes, recheadas de ensinamentos de Cristo, ia levantar um brinde aos convivas, quando um deles, do tipo “desligado”, atropelando as palavras do “grisalho” senhor, diz: “antes do brinde, fossem elevados os pensamentos dos presentes, àqueles que sofrem as agruras da fome, da falta de onde morar, da doença, da injustiça, da falta de trabalho, enfim a todos os excluídos”.
Pronto. Aí foi como se todos tivessem seus corpos tomados pôr urticária, tanto era o mexe-mexe, seguido de um uníssono murmúrio, que se percebia tratar-se do mal estar causado pelas inocentes intenções do convidado “desligado”.
Um mais exaltado (não perdendo a postura, naturalmente) dizia em meia voz: porque este “cara” não ficou no meio dessa gente a respeito de quem fala? Aqui não tem ninguém dessa classe. Outro afirmava que o “desligado” era alguém infiltrado por algum “amigo” invejoso, a fim de acabar com a festa e alegria de todos. Era um inconveniente.
A despretensiosa crônica, meu caro leitor, tem como escopo, apenas o sentido de dizer, que NATAL, a festa da chegada do Salvador, se destina também, a reflexões sobre o que Ele nos ensinou e que teimamos em fingir que não sabemos. As festas ricas ou mais fartas, devem sim existir. Nada há contra. Mas o “aparte” do “desligado” reflete sim, o sentido maior da existência dos homens.
Nesta noite tão enebriante, que eleva os espíritos, deve haver uma renovação de propósitos com JESUS, o Salvador: cada um será um seu companheiro na luta que visa minimizar os sofrimentos e problemas que afligem, sobretudo os mais carentes e fracos, porque todos são responsáveis, perante Deus, pelos seus irmãos.
Nas grandes festas, nas mais modestas, em qualquer lugar, elevemos a Jesus um pedido: que nos seja concedida a graça da bondade, da compreensão, da igualdade. Isto é dividir o Pão da Vida.
Boas Festas, deve ser a palavra chave, para cada um entender a dificuldade do outro. A solidariedade é sublime. A mansidão é abençoada por Deus. A exaltação é castigada.
A COBIÇADA
Nascida nos Andes peruanos, a bela e faceira índia, desejava antes de tudo, viajar, conhecer e ser conhecida no mundo, satisfazendo sua vontade e de toda a família.
Assim, desceu montanhas, venceu obstáculos, mas sua alegria foi dupla, já que no percurso, tomou ciência de como era grande a sua família.
Os responsáveis pela jovem e formosa mulher (perdera os pais ainda em criança), a acompanharam com receio de que alguma coisa de ruim viesse a lhe acontecer.
Quanto mais avançava em sua aventura, maior era sua percepção de como era rica assim como a descendência a que pertencia.
A vida feliz e pacata em que vivia, rapidamente foram se transformando em sonhos e pesadelos horríveis, prenúncios de muita desgraça.
Enquanto navegava, a intrépida viajante, foi conhecendo toda a sua família, formada por muitos e todos muito ricos, como ela própria.
Em um trecho da Região, veio ela a conhecer alguns homens de modos e línguas diferentes da que aprendera, que tentavam manter contato com ela. Ensinada a não dispensar confiança a desconhecidos, manteve o quanto pode quaisquer tipo de aproximação ou intimidade, que pudesse lhe causar algum dano com o que também protegia toda a sua família.
Ocorre, que com a morte de seus responsáveis, ela passou a ser mais vulnerável, assim como todos os seus.
Aproveitando do ensejo, os atrevidos e ambiciosos exploradores, acabaram por conseguir alguns contatos, com a índia já conhecida como Amazônia, e começou então a donzela a ter alguns “paqueras” uns “flertando” de longe, outros mais atrevidos, a visitavam contentemente mesmo não passando da “entrada”.
Sua beleza, assim como a fama de ser muito rica, correu longe e os pretendentes da encantadora mulher aumentavam a cada dia, o que preocupava seus amigos nativos muito desconfiados, sentimento aliás, muito aguçado entre os aborígines. Recados e cartas propondo vantagens à cabocla começaram a chegar. Em pouco tempo os “namorados”, já tinham “entrada na casa”.
Já íntimos, começaram ser permitidos contatos mais estreitos, como carícias, promessas e mais promessas de uma longa vida em comum, de muitas felicidades, para o que apenas teria que permitir que fosse um pouco mais “explorada” para melhor conhecimento.
Mesmo com a “desconfiança”, os tais namorados da futura infeliz, já abusando da confiança, começaram a “bolinar” a ingênua e virgem Amazônia.
Atraídos e animados pelo que vislumbraram na conquista que acabavam de efetivar, os tais namorados também descobriram que toda a família dela, era também “faturável”. Assim foram em frente e cada vez mais, novos territórios conquistavam da infortunada, que começava a denotar sinais de fadiga e constantes enjôos.
Certos que alguma coisa de muito ruim estava acontecendo, os mais velhos que percebiam o que estava se passando, concluíram que não só já tinham desvirginado a então donzela, como seus autores a tinham brutalizado. E pasmem só de que foi vítima a faceira moça
A Amazônia pela ignorância e ingenuidade dos seus “guardiões” não tinha sido somente “bolinada”, “possuída”, como a deixaram em lastimável estado pela selvageria dos que dela abusaram.
Devastaram suas matas, poluíram seus rios e ar, extraíram de suas entranhas tudo o que puderam, deixaram suas terras estéreis, secaram lagos, igarapés e furos, exterminaram espécimes animais, acabaram com a fartura de seus peixes, sua produção de subsistência foi para o “beleléu”, sua indústria extrativa só para o grande capital, sua navegação “naufragou” suas estradas ficaram só no “traçado”, a colonização racional prometida não chegou, a erradicação das doenças tropicais está no “forno”, seus meios de comunicação e transporte são tão tênues que os “intrépidos” carapanãs ainda ganham em eficiência.
Pior, deixaram uma prole tão grande, que a então faceira e bonita Amazônia não tem como sustentar. Tudo acabou. Os seus sonhos de ter um casamento feliz, capaz de garantir a grande família sonhada, foi só um delírio, resultante da forte febre de malária que contraiu e continua a castigá-la, com graves riscos de sucumbir de vez em braços alienígenas.
Surpreendendo até mesmo os mais céticos, eis que a Amazônia, sofrida e traumatizada, sobretudo pela brutalidade e perversidade, pôr ela testemunhada, com o extermínio em massa, de milhares e milhares de primos seus, que formavam grandes e pacatas nações de aborígenes, afora as inúmeras doenças que a atormentavam, passou a apresentar sensíveis sinais de melhora, pois tinham descoberto em suas terras, uma árvore que com um leve golpe em sua casca, “sangrava” um líquido branco, como se um leite grosso fosse.
O tal leite que a árvore oferecia, trouxe para as terras e para sua família, no primeiro instante, fartura, prosperidade e sobretudo, esperanças a todos. A corrida de gente “forasteira” para as terras da jovem Amazônia, foi enorme. Todos ávidos por explorarem o máximo, já que não havia regras e nem tão pouco barreiras que os impedissem de “usar e abusar” ou até daqui levar, aquilo em que ela acreditava que seria a salvação do povo irmão.
Acontece que “lá fora”, já tinham descoberto que o tal leite era “estratégico”, em invenções que surgiam aos turbilhões, muito distante da espantada Amazônia..
E finalmente que ganho real a grande família da desventurada moça iria obter com a produção, agora em grande escala, extraída da árvore “milagrosa” para uns e árvore “leiteira” para outros?. Nada . Muito pelo contrário.
Como se não bastasse o sofrimento dos nativos, agora outros mais vinham “dividir” a miséria e a doença que se abatia sobre a outrora contente gente, sem que, os “guardiões” modernos da infeliz índia, que se faziam conhecer agora com o nome pomposo de autoridades, quaisquer providencia tomassem. Aliás não há dúvida que tramavam sim, mas era contra a Amazônia.
A Amazônia, apenas reagia contando com as forças da natureza, pelos seus conhecida como mãe, aprontando aos exploradores, algumas “ciladas”, que mais amedrontava os arautos da ganância e da pilhagem, do que os afugentavam. Apenas “artifícios” próprios dos habitantes das matas e rios.
Em uma noite chuvosa, sob relâmpagos e raios, diante de muitos doentes e famintos, um pajé (ancião de muitos conhecimentos) diante da aflita Amazônia, sentenciou: “Assim como o grande Rio-Mar, na sua foz, dá um grande exemplo de luta e determinação deste povo, com o fenômeno da pororoca, que está como dizer, pela revolta de suas águas, que esta terra tem gente e dono,.. nós” continuou o pajé LONTRA como era conhecido “vamos lutar e reagir em tua honra, oh! querida Amazônia contra os maus presságios que ocorreram à priscas eras, jurou o pajé Lontra luta e reação. Verdadeiro grito de guerra que até agora ecoa e ressoa em todas as plagas pertencentes, por direito natural, a linda índia Amazônia
Mas, começava a acontecer a temida devastação da exuberante vegetação, de tal ordem criminosa e velhaca, e pior, sob os olhares e complacência das ditas autoridades, que até os favorecidos pela ação criminosa, começavam a temer os resultados nefastos que adviriam de tamanha sanha.
Até a arvore “leiteira” que tanto reanimou a desventurada Amazônia, com a perspectiva de obter através de seu generoso líquido branco, ganhos suficientes para efetivo e sério programa sócio econômico para seu povo irmão, passava a sofrer verdadeiro extermínio pela ganância da gente “forasteira”.
Depois de nela “mamarem” cometiam agora o crime de golpeá-la de morte, arrancando-a, como se estivessem assassinando a própria mãe “de leite”. E o mais grave ainda é que começavam a dar “sumiço”, aos que se opunham a tal prática.
A Amazônia, triste e desolada, lembrava que já tinham levado, sementes, madeiras, peles de animais (muitos em extinção) e nada acontecia em termos do desenvolvimento sonhado, já que sua gente continuava doente e analfabeta.
Cercada por seus irmãos aborígenes, “saldo” dos não escravizados e assassinados, ela concluía que teria, com seu povo, um destino permanente de lutas e dificuldades, para resguardo de suas potencialidades. Mas a luta era desigual. Os “salvadores” eram lobos vestidos de cordeiros. A pobre Amazônia, correria a pé, com dez cavaleiros ao seu encalço.
Lembrando o pajé Lontra, a seviciada Amazônia, sabia que as forças da natureza não lhes faltariam, que sempre estariam a seu lado e foi assim, que ela consegue manter os “civilizados” a certa distancia, em determinadas ocasiões, lançando sobre eles, pasmem só: o destemido carapanã, que atacava ora de malária, ora de febre amarela.
Como “gringo” se cuida, foi um Deus nos acuda em seus “arraiais”, já que pelo menos até agora, a modernidade não conseguiu desalojar tão indesejado mosquito, que já aniquilou muita “gente boa”, com o pesar de ter a própria Amazônia, de testemunhar a morte também de muitos nativos. Assim, o “gringo” aconselhou seus “parceiros” cuidados, sob pena de pagarem altos preços pela cobiça descabida.
ESPOCA BODE
Ocorre que, nos primeiros anos da década de
Todos reclamavam, fazendo com que a Prefeitura Municipal, entre outras medidas, proibisse a saída da farinha local, numa tentativa de reter toda a escassa produção, para atender primeiro Oriximiná. Pouco ou nada adiantou. O problema se agravava e a Admistração Municipal, teve então que comprar, em Belém, a até então “farinha ruim”, que chegando a Oriximiná, foi de certa forma, recebida com alegria.
No outro dia, logo cedo, foi iniciada a venda para a população, no Galpão do Trapiche Municipal. Apenas
Ocorre que, algum espirituoso conterrâneo, resolveu “jogar farofa” na aparente saída “vitoriosa“ do Prefeito, que era este pobre escriba: farinha espoca bode! Dizia em altas vozes o amigo (não seria da onça?), que completava: não existe nenhuma vantagem, trazer para Oriximiná, essa “mardita” – “mardita mesmo”, essa farinha espoca bode.
Aí começou a maior gozação, chamando de ”espoca bode” a todos os que adquiriam o produto. Posteriormente, ultrapassando as fronteiras do Município, o termo passou a designar os oriximinaenses, disseminando-se, sobretudo em Obidos, município com maior contato com os já “espoca bodes”.
No entanto, a história tem origem à bordo do “Barão de Cametá”, saudoso navio que formava a frota dos ”gaiolas”, que navegam ligando todas as nossas cidades, de Belém x Manaus, sendo que uns iam até ao Acre. No referido barco tinha um bode, que era “cria” da tripulação e fazia todo o percurso da embarcação. Em Faro, segundo contavam, o animal conseguiu furar um saco da farinha ida de Belém e comeu bastante e logo em seguida, com sede, bebeu muita água. E ai? O inacreditável teria ocorrido: o bode explodiu. Isto mesmo, explodiu. Assim desqualificavam a farinha de Belém, atribuindo a ela, pela má qualidade, até o “poder” da “explosão” do bode.
A primeira “vítima” que passou a ostentar o apelido, como não poderia deixar de ser, foi o responsável pela compra da farinha em Belém, que era o Prefeito, desde então passei a ser chamado de Prefeito “espoca bode”.
Era a maior caçoada, sobretudo quando a gente chegava em Óbidos. E quando tinha algum amistoso futebolístico, dava pra gente achar muita graça. Em uma ocasião, assistindo uma partida entre Oriximiná x Obidos, no Estádio General Rego Barros, um pouco antes do inicio do jogo, não é que um “gozador” entrou, puxando pelo meio do Campo, um enorme bode, arranjado sabe-se lá onde. Imaginem só!
De outra feita, iniciava a campanha eleitoral de 1966, sendo eu um dos candidatos a Assembléia Legislativa do Estado do Pará. Em Oriximiná, para os “contrários”, eu era o “ESPOCA BODE” e nos demais Municípios também. Levando tudo na gozação, resolvi explorar politicamente o apelido.
No primeiro comício que fiz em Óbidos, onde sempre me foi dispensado muito apreço e consideração, estava eu falando em frente da casa do saudoso ex-Prefeito Lucas Menezes, quando no fervor da falação todos silenciosamente ouvindo, eis que se ouve aquela voz grave e forte, do meio da multidão gritando: Cala a boca espoca bode! Olha, foi uma risada só. E eu, passado aquele momento de surpresa, achando muita graça, falei: amigo querido, espoca o bode e outros bichos, mas espoca também as urnas (naquele tempo de lona) com votos pára o candidato espoca bode. Fui um dos mais votados.
E assim, assumimos o carinhoso “espoca bode”. Na minha avaliação, esta brincadeira, serviu até para estabelecer maior grau de amizade e intimidade entre Oriximiná x Óbidos, cuja rivalidade, por exemplo, no futebol, que era grande, hoje não, todos são amigos e muito ligados uns aos outros. Afinal, Oriximiná é “filho” de Óbidos.
Anexo, os manifestos ”notas de embarque” das embarcações, que transportaram a farinha adquirida em Belém, pela Prefeitura Municipal de Oriximiná.

Nada contra culturas e valores outros; muito pelo contrário, se possível fosse, deveríamos conhecê-las.
No entanto, temos que primeiro conhecer, exaltar e gostar das coisas que esta nossa portentosa Amazônia nos oferece, como que um presente dos céus.
Devemos não só apreciar, mas difundir as qualidades e variedades de nossos alimentos, representados pelos inigualáveis frutos, peixes, mariscos, carnes, quelônios, etc. Nossas verdadeiras “especiarias”, como o açaí, a bacaba, o tucumã, o bacuri, o cupuaçu, a pupunha, o piquiá, a mandioca, esta nos oferecendo a substancial farinha (de diversos tipos), subprodutos como o tucupi, o tacacá, a maniçoba e o pato no tucupi.
Por que não assumir os hábitos gostosos e puros da vida cabocla, mesmo não nos distanciando do atual, do moderno, já que muitos consideram ser caboclo um atraso?
Vamos nos posicionar contra esta postura preconceituosa existente contra nós. Até as lendas e estórias da Amazônia, são tratadas pejorativamente. De outras “paragens”, vem com o nome pomposo, solene e respeitável de mito. Aqui são estórias “pra boi dormir”.
Até o nosso açaizeiro foi homenageado no Maranhão, com o município de Açailândia. E nós aqui? Nos lembramos tão pouco da nossa história...
Sabemos, sim, que muitas homenagens prestamos para figuras que nada têm a ver conosco, com exceções. Não fora nossos compositores, cantores, artistas, historiadores, jornalistas e escritores, a memória do Pará e a da Amazônia estariam piores. Por isso, lamentamos a todo instante esta conduta de desamor pelas nossas coisas, e proclamamos o orgulho de ser caboclos.
Há entre nós um completo desconhecimento de um Herculano Marcos Inglês de Souza (1853-1918), e de um José Dias de Matos Veríssimo (1857-1916), todos nascidos na gloriosa cidade de Óbidos – Pa. Pela proximidade de seus nascimentos e falecimentos, e ainda, pelo fato de os dois ilustres óbidenses terem sido fundadores da Academia Brasileira de Letras, autores dentre outros grandes feitos da nossa literatura, como a introdução do naturalismo e críticos da era naturalista, respectivamente, nos dá o tom exato de suas grandiosidades, dentro do contexto cultural. Devemos a eles, grandes homenagens, que bem poderíamos levar a efeito, sem, contudo nos esquecer de outros nomes que tanto nos honram e são totalmente desconhecidos..
Enquanto nós não nos apercebemos de onde estamos, o que representamos e o que somos, “levas” de estrangeiros se “embrenham” pela Amazônia, às vezes de forma ilegal, estudando, pesquisando, passeando, admirando as coisas fantásticas que temos.
Em uma reunião, alguém começar a narrar uma daquelas estórias “fantásticas”, como a da matinta pereira, boto, cobra d’água, cobra grande, etc., ou coisas da região, é o melhor “remédio” para desmanchar “roda”, pois começam a sair de “fininho”, com desculpas das mais esfarrapadas.
Mas se o papo versa sobre chimarrão ou saci pererê, olha! Aparece tanta gente para dissertar sobre os pampas, que causaria inveja a qualquer gaúcho.
Sabem quantos de nós se “atreve” a dizer que gosta de mingau,ou que com ele foi criado”? e que quando criança comeu “chibé”? Nenhum. Salvo as honrosas exceções, claro.
Vamos nos assumir, com orgulho, porque o mundo sempre esteve de “olho” na gente, e muitos dariam tudo para estar em nossos lugares.
A Amazônia já foi muitas vezes “convocada” e “desafiada” para algumas missões pela Pátria.
Vejamos:
A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, foi uma verdadeira epopéia na então impenetrável selva. Estima-se que para cada dormente assentado, 05 homens tenham morridos vitimados pela febre amarela e malária, controlada quando da vinda de Osvaldo Cruz, para in-loco tomar medidas sanitárias urgentes. A meta dos idealizadores, vindo de longe, era fazer o escoamento de nossas riquezas naturais, sempre elas, pelo Pacífico, atravessando o Peru.
A extração do rico e estratégico látex das nossas seringueiras,indispensável ao preparo bélico das nações envolvidas nos grandes conflitos mundiais, foi outra demonstração de heroísmo do amazônida e do nordestino, expostos a toda sorte de dificuldades, penetraram mato a dentro e, pagando com a própria vida, foi satisfeita a vontade dos “magnatas”. Aliás, projetos do governo e de megalomaníacos para a Amazônia, foram tantos, a custa do sacrifício do povo, com a cessão de enormes áreas de terras, isenções fiscais, subsídios, franquias alfandegárias, etc. Se tudo fosse relatado, teríamos grande compêndio da nossa história.
Lembremos os mais “arrojados”: Forlândia, Belterra, Núcleo Tomé Açu, Jarí (Ludwig), Estrada Perimetral Norte (do Amapá até a Venezuela, interligando todo o lado esquerdo do Rio Amazonas), são alguns.
E os protocolos de “intenções” firmados com aquela ex-estatal, cujas letras invertidas lê-se LEVA?
Ótimo para seus donos, mas para os paraenses, só resta mesmo (antes de exaurir), o título pomposo de Primeira Província Mineral do Brasil.
Na pauta fiscal do Pará (base para cálculo de impostos) observa-se no passado quanto significou para nós o extrativismo da castanha do Pará (hoje do Brasil), das resinas e das sementes oleaginosas.
Sem política de governo e os produtores (ou coletores) entregues à própria sorte, acabaram por cessar suas atividades, sem, contudo, deixar de registrar a tristeza e indignação que nos envolve, sobretudo pela derrubada criminosa de castanhais inteiros, objetos da cobiça de muitos, sequiosos em arrancar o máximo de lucro da natureza e do solo da Amazônia.
Porque não lembrar “anos d’ouro” vividos pelas populações ribeirinhas, quando da cultura da jutanas várzeas e da malva no sertão, que propiciaram renda significativa para os bravos “julticultores”?
Como sempre, aqui nada foi feito para transformar a região em palco produtivo perene com a agregação de valores. Não passamos de tímidos passos no setor de alguma sacaria, logo suplantada por setores avançados não só na técnica, como com forte capital subsidiado e surgimento de poderosos concorrentes de outras matérias primas e maciça importação de fibras. Pode?
E o que vimos? As populações rurais, com mais esta débâcle, se transferiram para os centros urbanos, sob os falsos acordes do canto da sereia, onde passaram a formar fileira dos excluídos urbanos.
Por tudo isto e muito mais a abordar, nós, caboclos da Amazônia, estamos com fome de uma política desenvolvimentista real e definitiva, cessando assim estes permanentes experimentos, que nos fazem afundar no mundo das ilusões, somente superadas pelo desejo ardente, revivido com o sonho da sociedade fraterna e feliz que tanto perseguimos, como povo valente, que tem nome, sobrenome e endereço: Residente Rio Abaixo, Bairro dos Sonhos, cujo CEP nos dá as iniciais de Contra Esta Política, só do leva.
Artigo publicado no Jornal "A Provincia do Pará", de 14 de outubro de 1997
CÍRIO - NÃO A DESIGUALDADE
Belém se engalana toda, para reverenciar no CÍRIO, a Mãe de Deus, sob a invocação de Nossa Senhora de Nazaré. A gigantesca manifestação de fé, originada de pequenas romarias e procissões, talvez seja hoje o maior evento católico do Mundo. Plácido, o bom caboclo paraense, quando encontrou a pequenina imagem de Maria, às margens de um igarapé às proximidades do local onde está erguida a majestosa Basílica de Nazaré, longe estava de pensar que foi o escolhido para perpetuar nestas plagas da Amazônia, o culto fervoroso a Senhora de Nazaré, a medianeira de todas as graças. e acima de tudo, a aliança que Deus estabelece com este povo que integra esta legião de cristãos que daqui do setentrião pátrio se soma ao coro das palavras de Jesus.
A festa é bela ! A demonstração de amor é algo indescritível. É a festa da igualdade. Todos mais próximos de Nossa Senhora, como em um verdadeiro delírio de massa, com milhares de pessoas que se arrastam pelas ruas de Belém, como que uma grande boiúna, serpenteando os rios da Amazônia. Todos sentem algo maravilhoso talvez por ocorrer a transformação da multidão, a mais eloqüente vontade de Deus, que é o da igualdade.
Ninguém é maior ou melhor que seu semelhante. Todos são iguais. E isto o CÍRIO consegue realizar. Lamentável que nem bem se desfaça a procissão, as posturas e comportamentos de muitos voltem a ser o mesmo: procedimento anti cristão, sem ao menos lembrar os recentes momentos de reflexão e promessas de bondade elevados na passagem da belíssima berlinda transportando a imagem da Rainha Mãe de Deus.
O CÍRIO deve ser para o Pará e seu povo, não apenas os momentos de alegrias que ninguém consegue esconder, das lembranças do passado, do compulsivo choro diante da grandiosidade divina. Deve o CÍRIO em honra a Nossa Senhora de Nazaré, em Belém do Pará, servir como exemplo da força e determinação de um povo, muito bem representado pelo extraordinário exemplo dado pelos que se unem em torno da Mãe de Deus, agarrados em uma corda, como agarrados todos devem ficar, na esperança da vida eterna onde todos serão, diante do Senhor, julgados pelo feito e pelas omissões aqui praticados.
O paraense, herdeiro da valentia e do talento caboclo , tem na sua fé e no seu amor por Nossa Senhora de Nazaré o bálsamo lenitivo, que o faz possuidor de um espirito tão forte, que chega a ser estóico, mas não renega a sua crença e a sua origem, razão talvez que o faça superar as dificuldades, transformando-as em uma perseverança inigualável.
Que o CÍRIO/97 de Nazaré, marque uma nova era nas vidas dos paraenses, com uma igualdade perene e não somente durante o percurso da grande manifestação.

A praça denominada “do Centenário” foi idealizada pelo então Prefeito de Oriximiná, Raimundo José Figueiredo de Oliveira (maio/75, abril/85).
Para aquela finalidade – construção da praça – foi reservada pela Prefeitura uma área de terra, da qual, apenas foi cedido ao Estado o terreno para a Delegacia de Polícia e para o então Grupo Escolar Helvécio Guerreiro, enquanto que o restante, separada por uma Alameda, ficou destinada as obras da Pça. do Centenário.
A área com cerca de aproximadamente
Com a proximidade do Centenário de Oriximiná – 24/12/1977, o então Prefeito Raimundo Oliveira, objetivando vasta programação para comemorar a data, incluiu a construção da praça, até porque, com o constante crescimento da cidade se fazia necessária.
A partir de 1976, deu início aos serviços, constantes inicialmente do remanejamento de alguns ocupantes que haviam construído na área, pequenas casas, assentando-os em uma via aberta na Travessa Ângelo Augusto de Oliveira. A época, era responsável pelas obras o funcionário da Prefeitura Sr. Vicente Barros, motivo pelo qual a via aberta, popularmente, recebeu o nome deste.
Preparada o terreno com a retirada dos entulhos – árvores apodrecidas, destocamento, etc. – foi iniciada à construção da nova praça.
O Mestre de Obras, conhecido por “Sabará” e outros operários, executaram a tarefa de construir, na praça que surgia, alicerce, baldrame, meio fio com linha d’água, aterro compactado, empedramento com aguada de cimento e areia em todo o passeio, “bocas de lobo” e tubulação para drenagem das águas pluviais evitando o assoreamento do local.
Assim no dia 17/12/1977, às 18:00 hs., como parte integrante das comemorações dos 100 anos de Oriximiná, foram visitadas as, obras, já com iluminação, arborização já iniciada a nova praça denominada PRAÇA DO CENTENÁRIO, com a presença de autoridades do Estado e Município, tendo a frente o Prefeito Raimundo José Figueiredo de Oliveira seguidos pelo povo.
Transcorridos alguns anos, com a Praça do Centenário já fazendo parte da vida do oriximinaense, o então Prefeito Sr. Luiz Gonzaga de Souza introduziu relevantes melhorias nesse logradouro público, amparadas em arrojado projeto arquitetônico, nada ficando a dever a espaços de lazer dessa natureza, existentes em outras cidades. Sem dúvida alguma, contemplou Oriximiná, com uma bela obra.
Estes são os fatos que contam a história da Praça do Centenário, que ao lado das Praças Santo Antonio (a primeira construída na cidade), da Saudade, do Pescador, do Estivador, entre outras, embelezam nossa Cidade.
Ontem, 1963, quando prefeito de Oriximiná, subscrevi com todos os demais prefeitos da região o documento publicado pelo jornal da época abaixo:

