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DISCURSO DE POSSE DO ACADÊMICO JOÃO AUGUSTO FIGUEIREDO DE OLIVEIRA NA CADEIRA DE Nº 30 DA
ACADEMIA PARAENSE DE LETRAS
BELÉM-PARÁ - 23 de março de 2012 (parte 2/2)

O Pastor de Sonhos

Sou pastor de sonhos
que não me conhecem
numa gruta os guardo
onde o Tempo é messe

Bebem leite claro
pascem o Regresso
balem quando à noite
não acham verso

Têm olhos humanos
choram no redil
florescem no pasto
dormem eu vigio

Mascam mansas nuvens
deitam-se na relva

lambem minha face
densa como a treva

Vou tangendo os sonhos
pela gruta a dentro
só mo vêem os anjos
só me alenta o vento

Quando os solto, correm
montes e luares
somem-se na gruta
deixam-me nos vales

Nessa dura lida
vamos caminhando
entre a infância e a morte
eu e meu rebanho.

(Ápio Campos)

É este pastor de sonhos, mestre das letras, poeta e contista, que tenho a honra e a responsabilidade de substituir nesta Academia.
Ápio Paes Campos Costa nasceu em Belém, em 1927.  Filho de Luciano e Evarinta Campos Costa. Estudou no Colégio Nazaré, transferindo-se depois para o Seminário Metropolitano N. S. da Conceição. Concluiu Teologia em 1949, recebendo a ordenação sacerdotal no ano seguinte, após completar os 23 anos, idade mínima exigida pelo Direito Canônico, e mesmo assim por dispensa concedida.
Antes de concluir o curso teológico, já era diácono, tendo estagiado em Salinópolis, ao lado do padre Florêncio Dubois, professor do seminário e que o apresentara a Paulo Maranhão, professor e diretor da 'Folha do Norte', seu grande e estimado amigo, que o fez ingressar no jornalismo. Por muitos anos, Ápio Campos, como jornalista, foi colaborador de O LIBERAL, publicando artigos.
Na Igreja, exerceu o vicariato nas paróquias de Santa Terezinha e do município de Benevides, sendo considerado o padre-poeta, vindo em seguida a ser elevado a cônego.
Professor, lecionou no Instituto Educacional do Pará (IEP), Colégio "Paes de Carvalho" e Seminário S. Pio X. Também exerceu o magistério superior, ministrando as disciplinas Filologia Românica da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Pará, Língua Portuguesa no Centro de Estudos Superiores do Pará (CESEP), História da Linguística na Universidade Federal do Pará (UFPA) e coordenador de Teologia na Universidade da Amazônia (UNAMA).
Nas palavras de quem conviveu com ele uma aula ministrada pelo Cônego tinha, como diria Roland Barthes, “saber e sabor. Era muito saboroso ouvi-lo falar sobre poesia, teoria da literatura, filosofia e sobretudo... de Deus. Ele  fazia parecer simples uma aula até como se   não a houvesse preparado ou estudado antes, pois, não trazia anotações e tampouco se valia de textos. Ele era o texto”.
Não era um teólogo que se expressava. Era um sábio, um íntimo do Criador.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, Autor de obra vasta e densa, poeta, contista, ensaísta e cronista, publicou livros na área dos estudos linguísticos e literários, de contos e de poemas, dentre eles produziu:

1- Marítimas (Poesia; 1955);
2- Aquele padre velhinho (ficção; 1956);
3- Cítaras em surdina (poemas; 1957;menção Honrosa da Academia Paraense de Letras);
4- Rosa super rivos (poemas em latim; 1958; Prêmio Santa Helena magno/Governo do Pará);
5- Olhos dentro da noite (contos; 1959; Prêmio Terêncío Porto/Academia Paraense de Letras);
6- Canto agônico (poemas; 1960);
7- Catecismo eleitoral cristão (doutrina social católica; 1960);
8- Hora do ângelus (crônicas trasmitidas pela Rádio Clube do Pará; 1962);
9- A batina no banco dos réus (ensaio; 1963);
10- Pastoral das sombras (poemas; 1965);
11- Fandango (contos; 1967);
12- Problemas de educação e desenvolvimento na Amazônia (ensaios; 1968);
13- Renascer pela água e pelo espírito (exposição sobre o batismo; 1970);
14- Crise ou falência da educação cristã?(ensaio; 1971);
15- O verbo e o texto (estudos linguísticos e literários; 1979);
16- Transpoema (poemas; 1979);
17 -Universidade: Linguagem e  Desenvolvimento (ensaios; 1980);
18- Árvore do tempo (poemas; 1980);
19- Universidade: Pesquisa e Pós-graduação (ensaios; 1981);
20- Trevos e travos (trovas; 1982);
21- Cantigas pro menino (poemas; 1995);
22- Os anjos descem no rio (contos; 1996);
23- Ponte sobre as horas (poemas; 1999).

Merece menção dois livros inéditos até hoje e escritos no tempo do Seminário. São eles:

1- CLAUSTRO e
2- NOITE CABOCLA.

O Cônego Ápio Campos sempre deixou aflorar sua sensibilidade, que a todos envolvia. Por ocasião do termo de sua existência embevecidos com sua aura, o Presidente desta Augusta Casa, o Acadêmico Antônio José Mattos declarou: “Ápio nunca será esquecido. Vamos sentir muita falta e muita saudade do cônego Ápio”. Muito emocionado, o professor Édson Franco lembrava os tempos de convivência diária com o cônego Ápio. “Ele coordenou, com muita sabedoria, o curso de teologia do CESEP e nos dava constantes lições de sabedoria”.
Hoje ao assumir a cadeira, que já foi ocupado por tão ilustres personagens, sinto-me extasiado, pois quando na minha infância, na distante Oriximiná, nunca imaginei tal graça, mesmo nos meus mais delirantes pensamentos de menino.
O ato que aqui nos reúne, senhoras e senhores, encerra na sua magnificência a concretude do desejo de um homem que vindo do interior, aqui chegou, sem a veleidade fútil de apenas ser por querer ser um dos que galgaria os degraus que os nobres intelectuais com assento neste Silogeu, fazem jus, mas com a pretensão de, indo ao encontro da finalidade desta Academia, concorrer para o desenvolvimento cultural, estimulando a criação literária científica e artística de nosso povo.
Confesso com muita humildade, que a minha eleição, para ocupar a cadeira de numero 30, desta secular Casa me é, não somente um grande desafio, mas o coroamento dos anseios de um caboclo nascido no Lago Sapucuá, em Oriximiná, que aqui, chegou em fevereiro de 1953, certo de que, haveria de honrar a sua família, seus amigos e a terra que lhe serviu de berço. Os obstáculos que enfrentaria em sua vida, lhe estimulavam a seguir em frente, dentro da máxima de que, ninguém foge ao seu destino, sobretudo, aqueles que trazem em suas veias o sangue das cunhãs apuiara.
Espero ser nesta casa não só um bom companheiro para todos, mas, sobretudo, participar ativamente das atividades deste Silogeu, proclamando sempre, levando aos mais variados pontos a presença da tão rica cultura paraense.
Não seremos nuvens secas que passam e não se abrem para fertilizar a terra. Nós temos acima de tudo o dever de continuar, PRODUZIR, proclamar e divulgar os valores culturais da nossa terra, muitas vezes omitidos ou substituídos, abruptamente, até em homenagens oficiais, por nomes e fatos estranhos à nossa realidade.
O primeiro poema em hieróglifos egípcios dizia:
“A tua voz é como vinho de romã”. Vamos fazer com nossas vozes, não como o vinho de romã, mas energizadas com o nosso saboroso vinho de açaí, o restauro das nossas identidades culturais fazendo prevalecer a nossa linguagem, costumes, musicas, e nossas raízes indígena, afrodescendente e cabocla, sem menosprezo àqueles que tem outras origens, mas que se alinham conosco.
Nada temos a temer porque quem teme o lobo não deve adentrar na floresta, por isso conclamo a todos, para que a APL se faça SEMPRE INTENSIVAMENTE presente em todos os acontecimentos da nossa terra, desejo ardente de que este Silogeu não seja apenas a noite que abre as flores em silêncio e deixa que o dia receba os agradecimentos.

“Ás vezes ouço o vento passar e só de ouvir o vento passar vale a pena ter nascido”, como dizia Fernando Pessoa, assim eu me acho nesta noite. Valeu a pena ter nascido, por estar doravante no convívio de insignes Acadêmicos. Sou um homem feliz e muito mais ainda “por que o homem morre uma primeira vez na idade que perde o entusiasmo de viver, e isto não acontece com este orador.

“Espelho amigo verdadeiro, tu refletes as minhas rugas, os meus olhos míopes, engraçados. Espelho amigo verdadeiro, mestre do realismo exato e minucioso” (Manuel Bandeira).  Esta é também a minha realidade, Mas sou e estou muito feliz.

Encerro meu discurso com o poema de um paraense (que se não de nascimento, mas de coração) tanto exaltava a nossa terra e sua gente, Rodrigues Pinajé que foi também, merecidamente; o nosso príncipe dos poetas.

“HOJE E AMANHÔ

“Abre o seio, Amazônia! Alarga a superfície!
Deixa a Vitória Régia aromar a Planície
e o Irapurú flautear a taba de Jaci!
Deixa que se misture, entre a nossa família,
a linguagem que o luso espalhou na Brasília,
escondendo da raça o valor de Tupi!

Que importa! O gênio é o mesmo. A mesma dor suprema
que inspira Alencar, nos olhos de Iracema,
Jacques Flores sentiu, com a mesma inspiração,
Gravando em letras de ouro, à luz meridiana,
a figura imortal de Severa Romana,
cujo olhar provocara a selvagem paixão!

Todos nós temos na alma um trecho de romance.
Bem feliz o deixa, ao menos de relance,
a testificação das horas que viveu;
mesmo no sofrimento, é necessário o canto!
Cantemos, para que não nos lacerem tanto,
todo o mal, pelo bem que o destino nos deu!

Vê! Quando a Natureza o largo céu decora,
preparando um altar para as missas da aurora
e ribaltas azuis para a estreia do sol,
ouvimos, como o que, nas flores e nos ramos,
um Deus, que nos convida a cantar! E cantamos
o céu e a terra e o mar e o ocaso e o arrebol!

Cantamos, porque Deus é tudo e tudo inspira:
Cada átomo é uma nota inflamante, na lira
Que empunhamos, saudando a luz universal!
Cada romance – é um céu; Cada estrofe – uma estrela;
e o inspirado cantor, ansioso de acende-la,
engasta em cada ponta, um sonho virginal

Quando século vier, completando a jornada,
e encontrar-me a dormir, na perpétua morada,
sem a lira nas mãos. ficarei a cantar!
nas orações que fiz no silencio das naves;
nos hinos que deixei na garganta das aves;
nas canções que arranquei, das entranhas do mar!”

Agora sim: tenho dito!


Obrigado!

Senhor Acadêmico Presidente deste Silogeu, depois do Tenho Dito, agora venho dizer que não poderia me retirar desta Tribuna, sem expressar um agradecimento especial ao Acadêmico Ribamar Fonseca, que aceitou prazerosamente em vir nesta noite, saudar-me, como novo membro da APL descrevendo com a sua peculiar bondade a minha vida, apoiado na nossa amizade de longos anos.
A V.Revma., D. Joaquim Vicente Zico, que vencendo todas as dificuldades deste tempo invernoso de Belém, veio até aqui prestigiar minha assunção à Cadeira 30 desta Casa, quero agradecer sua especial presença e pedir sua benção para este seu amigo e para todos os que integram esta Casa.
O Senhor é um Santo D. Zico foi um grande Arcebispo de Belém e é por isso que sempre lhe sussurro: o Senhor é o meu Cardeal “in pectore” da Amazônia.
Ao Linomar Bahia, nosso Cerimonialista, deixo o meu muito obrigado em estar aqui conosco, dando uma parcela do seu mister nesta noite memorável da APL.



Escrito por João Augusto Oliveira às 16h31
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DISCURSO DE POSSE DO ACADÊMICO JOÃO AUGUSTO FIGUEIREDO DE OLIVEIRA NA CADEIRA DE Nº 30 DA
ACADEMIA PARAENSE DE LETRAS
BELÉM-PARÁ - 23 de março de 2012 (parte 1/2)

Tenho dito!
Este não é o final deste discurso, e sim tenho dito que Deus deixou para me conceder no ocaso da minha existência o mais sublime e grandioso momento, só comparado, dentre outros, com o do alvorecer da minha juventude quando afirmei minha união com Terezinha, minha querida companheira com quem construí, ao longo destes 55 anos uma bela família, composta de seis filhos e 11 netos, e que hoje, na assistência, presenciam, ao lado de parentes e amigos, meu ingresso nesta Augusta Casa por decisão dos nobres e respeitáveis Membros, a quem de jure, cabe escolher quem vai assentar-se.
Este Silogeu tem o fascínio de imortalizar aqueles mortais que teimam em fazer com que suas ideias nunca pereçam. Dai o nosso dever, responsabilidade e acima de tudo prazer em vir a ser o ultimogênito formal deste Liceu, pois tal qual um aspirante, regozijo-me com a possibilidade do aprendizado com essas mentes brilhantes, sem perder o âmago de produzir obras do quilate destes, que contribuam para manter resplandecente a cultura paraense.
O meu desejo há muito alimentado de pertencer, sem nenhum sentimento de vaidade, a esta Casa, sempre foi a união tácita entre as finalidades desta Academia e os meus sonhos de procurar das mais variadas formas participar da vida cultural e acadêmica do meu Estado, ao lado daqueles que, a despeito de todas as dificuldades nunca deixaram apagar a estrela fulgurante que não só é o símbolo maior da bandeira paraense, como também símbolo místico daqueles que devaneiam, através da cultura, e criam realidades abstratas capazes de transformar os seres humanos em sua essência. E ressalto aqui, que o Pará sempre ofereceu em todos os campos da cultura brasileira, grandes valores, integrando nossa Região no contexto cultural nacional, como é o exemplo de José Verissimo, Inglês de Souza, Dalcídio Jurandir, Benedito Nunes, estes para não me tornar enfadonho com tão vasta relação.
Assumo hoje, a cadeira n° 30 que tem como patrono Manoel Barata, infelizmente culturalmente um tanto desconhecido pelo cidadão médio de nosso Estado, isto pela ausência de divulgação de obras capazes de mostrar a sua importância em nossa história cultural.
Assim, cumpre-me desde logo, o dever de proclamar e exaltar doravante, o nome de um dos mais fulgurantes vultos da história paraense, que é Manoel de Melo Cardoso Barata patrono da cadeira 30.
A maior referencia popular foi a escolha de seu nome para designar uma das principais ruas do centro de Belém, Rua Senador Manuel Barata, outrora denominada de Rua Nova de Santa Ana. Justa homenagem prestada pela Cidade a este notável cidadão,
Manuel de Mello Cardoso Barata, político, historiador; Abolicionista, Republicano, genealogista, bibliófilo, diplomado pela Faculdade de Direito do Recife (1872); Subdelegado do 1º Distrito da Capital [1878], suplente de Juiz Substituto [1879], vereador da Câmara Municipal de Belém (1879-82); membro da comissão de elaboração do estatuto do Clube Republicano do Pará (1888); membro do diretório do Partido Republicano do Pará (1890); membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e dos Institutos Históricos de São Paulo, Bahia e Ceará.
Manoel Barata foi autor de várias obras e trabalhos sobre o Estado do Pará. Com a adesão do Pará à República, veio a ser nomeado, pelo Governo Provisório, primeiro Vice-Governador do Estado no novo regime [12.1889]. Deputado Constituinte [1890], e senador pela mesma unidade da federação durante 15 anos, signatário da Constituição Republicana de 24.02.1891. Em 1893, foi convidado pelo Presidente da República, Marechal Floriano Peixoto, para ocupar a pasta de Ministro das Relações Exteriores - por motivos particulares, não aceitou o convite.
Sua famosa biblioteca de obras raras sobre o Brasil, especialmente a Amazônia (2.782 obras em 4.896 volumes encadernados e mais 672 brochuras, além de 146 códices, na seção de manuscritos, e opulenta coleção de mapas), é considerada, depois do acervo da Imperatriz, como a segunda melhor do atual Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro que, para homenageá-lo, colocou, na antessala de consulta, como guardião dos amantes da literatura histórica, um quadro a óleo de seu rosto. Foi autor, também, de diversos manuscritos, inéditos, de cunho genealógicos, referentes ao Pará, que lhe valeu o título de Patrono da Cadeira n.º 20, do Colégio Brasileiro de Genealogia.
Na época, ele era considerado um especialista sobre a Amazônia. “Pesquisador infatigável dos arquivos, revelou documentos interessantíssimos da história colonial do Pará, tendo traçado com esmero e honestidade, as páginas mais destacadas da formação do povo paraense através dos vários ciclos de seu desenvolvimento” já expressava em 1970 o historiador paraense Ernesto Cruz em sua obra “Ruas de Belém”.
Dentre suas obras de caráter histórico e genealógico, publicadas e inéditas, destacam-se:
1 - Apontamentos para a Efemérides Paraenses [1921 - com diversos verbetes de interesse genealógico];
2 - Estado do Pará - Jornais, Revistas e Outras Publicações Periódicas de 1822 a1908 [Rio, 1908];
3 - Jornada de Francisco Caldeira Castello Branco - Fundação de Belém - estudo da História Paraense com documentos inéditos [Rio, 1904];
4 - A Antiga Produção e Exportação do Pará - Estudo Histórico-Econômico [1915]
5 - As Principais Ruas de Belém;
6 - A Capela de Santo Cristo [in Anuário de Belém,]
7 - A Primeira Loja Maçônica no Pará [in Folha do Norte, 13.09.1911];
8 - A Primeira Loja Maçônica no Pará [in Folha do Norte, 06.02.1915, Conclusão];
9 - O Clube Republicano do Pará [in O Estado do Pará, 02.05.1912];
10 - Nome das Ruas e numeração das casas de Belém [in Folha do Norte, 01.01.1915];
11 - A Capitania de Camutá [com apontamentos genealógicos dos donatários];
12 - A Iluminação Pública [in Folha do Norte, 26.03.1915];
13 - Val-de-Cães [in Folha do Norte, com apontamentos genealógicos dos proprietários];
14 - Apontamentos Genealógicos do Coronel Francisco José Rodrigues Barata”. Códice do final do século;
15 - Apontamentos Genealógicos do Coronel Manuel Joaquim Pereira de Souza Castilho Feyo. Códice do final do século XIX. Manuscrito. Coleção particular da Família Barata;
16 - Apontamentos Genealógicos do Visconde de Cabo Frio - Códice do final do século XIX. Manuscrito. Coleção do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
17 - Apontamentos Genealógicos do Coronel Francisco José Rodrigues Barata – 18 - Códice do final do século XIX. Manuscrito. Coleção particular da Família Barata;
19 - Apontamentos Genealógicos da Família Chermont - Códice do final do século XIX. Manuscrito. Coleção da Família Campos da Paz;
20 - Origine de La Famile Guérin de Chermont, Paris, 1900 - conde de Cardez. Este trabalho foi levantado pelo conde de Cardez, em 1900, a pedido do Senador e Historiador paraense Manuel de Mello Cardoso Barata. Manuscrito. Coleção da Família Chermont de Miranda.
Nasceu em Belém, Pará, em 04 de agosto de 1841 e faleceu também em Belém a 12 de outubro de 1916. Não deixou geração do seu casamento, a 22.01.1879, em Belém, com sua prima, Maria Amélia Pereira de Chermont, trineta do brigadeiro Teodósio Constantino de Chermont, patriarca da família Chermont do Pará. O parentesco entre eles ocorre através da família Pereira. A bisavó do Senador Barata era irmã do bisavô de sua esposa, D. Maria Amélia de Chermont.
A honra de ocupar pela primeira vez a Cadeira de nº 30 coube ao não menos brilhante historiador Henrique Jorge Hurley, que nasceu em 19/12/1882 em Natal no Rio Grande do Norte, casado com Ana Maria Hurley.
Henrique Jorge Hurley alistou-se aos 16 anos no Exercito, iniciando assim, uma carreira militar, já com grande vocação para a mesma. Transferido de Natal para Recife, novos horizontes lhe descortinaram. Recife a esse tempo já era a grande Cidade Universitária que reunia toda a mocidade do Norte. A sua Faculdade de Direito era tradicional em todo o País. Este ambiente cultural influenciou a sua vida, e já em 1900 chegou ao posto de alferes no seu Batalhão, tendo dado baixa e seguido para o Pará, Estado que recebia grande número de jovens estudiosos e aventureiros, que almejavam, no então El Dourado, em pleno apogeu da borracha, obterem fortuna e glória.
Em Belém, assentou praça no 1º Batalhão de Infantaria da Brigada Militar do Estado, no posto de 2º. Sargento. Sua carreira foi fulgurante. Antes de 4 anos já detinha o posto de Capitão, desempenhando honrosas comissões como ajudante de ordens do Núncio Apostólico Cardeal Júlio Conti em sua visita a Amazônia, e ainda em 1905, a de ajudante de ordens do Presidente da República Afonso Pena, durante sua estada em Belém.
Desejoso de maiores conhecimentos, pediu baixa da Força Pública do Estado, dedicando-se as lides forenses como solicitador. Formou-se na Faculdade de Direito do Pará em l910 e ingressou na magistratura como juiz de Direito substituto de Baião.
Magistrado, fez uma verdadeira peregrinação pelo interior do Estado chegando logo em seguida ao então Tribunal Superior de Justiça do Estado.
Trabalhou no jornal “A Província do Pará”, no Arquivo Público, onde teve ensejo de avaliar o seu pendor pelas pesquisas e pelos estudos históricos.
Exerceu o cargo de Secretário da Prefeitura Municipal de Belém, substituindo o grande Humberto de Campos, que partia Brasil afora onde alcançou os píncaros da glória como escritor.
Observador atento, sua estada pelo interior enriqueceu seus conhecimentos que deram frutos através de notáveis trabalhos, dentre os quais:

1- Amazônia Ciclópica
2- Nos Sertões do Gurupi
3- Itarãna (pedra falsa)
4- Noções da História do Brasil e do Pará, esta a sua obra máxima.

Ressalte-se que quem estuda a obra de Henrique Jorge Hurley percebe que sua vocação maior é a de historiador.
Nessa qualidade pertenceu a diversas associações culturais como o Instituto Histórico e Geográfico do Pará - IHGP, do qual foi presidente durante 06 anos, e a nossa Academia Paraense de Letra, assumindo assim, como primeiro ocupante, a cadeira n° 30, cujo Patrono é o grande historiador Dr. Manoel Barata.
Segundo palavras de Miguel Pernambuco Filho “Há assuntos que muitas vezes torna difícil a missão do incumbido de narrá-los pela aridez ou pela falta de elementos capazes de elucidá-los. Felizmente o de hoje que vamos tratar, foge a essa regra geral, porquanto o único empecilho que apresenta é justamente o de se poder condensar numa modesta oração acadêmica a vida de um varão que se distinguiu por um labor constante na seara das letras jurídicas e literárias”. [...] “O desembargador Henrique Jorge Hurley era o que os americanos chamam com muita propriedade, made selfman, um homem que se fez por si”. Isso tudo, em oração, na memorável sessão de 08/01/1957, em sua homenagem nesta Academia.



Escrito por João Augusto Oliveira às 16h26
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Escrito por João Augusto Oliveira às 18h32
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Escrito por João Augusto Oliveira às 15h31
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Capa do novo livro de João Augusto de Oliveira que já está na gráfica para impressão. Em breve será lançado.



Escrito por João Augusto Oliveira às 15h38
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Escrito por João Augusto Oliveira às 17h47
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Capa do livro, Plenitude - 1. vol, recém-lançado, pelo oriximinaense João Augusto de Oliveira.

 

 



Escrito por João Augusto Oliveira às 17h27
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CPI - como punir implicados?


Por João Augusto Oliveira

Sem dúvida alguma, as letras CPI talvez sejam mais conhecidas e populares junto aos mais diversos segmentos da sociedade brasileira, graças à ação das nossas Casas Legislativas, que no uso de suas atribuições legais, tem lutado em desvendar negócios escusos e altamente prejudiciais ao erário, afora mostrar a Nação tipos de gente travestidos de empresários, banqueiros, políticos, funcionários (altos) públicos etc., etc., que na realidade não passam de desprezíveis e grotescos meliantes, pós-graduados em rapinagem.
“Há tratantes, bastante tratantes, para se conduzirem como gente honesta” proclamava Napoleão. Aqui se retrata a dificuldade em se colocar a mão em certos tratantes, o que aliás não é competência do Legislativo e a ação da Justiça, no final, tem que se ater as provas apresentadas no processo.
Claro que os leigos na difícil ciência do Direito, imaginam que o final de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPl) ensejaria que as celas de nossas cadeias (já superpovoadas de peixes miúdos) ficassem repletas dos envolvidos nos escândalos, mas infelizmente não é bem assim. Não diríamos que seja complicado, mas o procedimento é estritamente técnico, na forma, aliás, da Lei.
Conclui-se no entanto, que o Brasil luta bravamente, desesperadamente para apontar a Nação, seus criminosos, seus comparsas e os seus beneficiados para vê-los punidos, não apenas com a simples perda do cargo ou mandato...
Não melhorou? Claro que sim! Agora praticar uma injustiça a um só que seja, implica em ameaças para todos, já nos ensinava Montesquieu. Portanto, vamos até o final e durante este tempo, que não será pouco, o bom é que a Nação toda se conscientize e já não mais aceite conviver com embusteiros, alguns até dando murros em cima de mesas (para impressionar as trouxas), se bem que longe daqui.
Devemos sim aprimorar e modernizar nossa legislação para que as letras iniciais CPI (de inquérito) não sejam traduzidas Como Punir Implicados, mas que sejam traduzidas como Condenados Por Improbidade – CPI.


Escrito por João Augusto Oliveira às 13h22
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Arquivo João Augusto

Oriximiná, 1963. Prefeito João Augusto despachando em seu gabinete.

Oriximiná, 1963. Prefeito João Augusto com Ex-Prefeitos, respectivamente: Guilherme Guerreiro, João Guerreiro, Vice-Prefeito Raimundo M. Figueiredo e o Contador Cláudio Monteiro plantando árvore, Jambeiro, na Praça Santo Antônio, frente da Prefeitura - Prédio Pe. José Nicolino - Em comemoração ao dia da Árvore. Vê-se aos fundos, estudantes.

Igarapé do Lago São Marcos - Costa do Boto, 1965. Em uma rotineira visita do Prefeito João Augusto ao inteiror do município de Oriximiná.

Oriximiná, década de 1940. Primeiro mercado público da cidade, às margens do Rio Trombetas - Av. 24 de Dezembro.

 

 



Escrito por João Augusto Oliveira às 21h10
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Belém do Pará - A Grandiosa

Belém do Pará -  A  Grandiosa

 

                Estive visitando diversos pontos desta querida cidade. Foi um passeio cheio de forte sentido de recordações e saudade. Durante o passeio me veio à mente, não só o que vi no primeiro dia em que aqui cheguei, no iniciar da década de 50, como também as descrições ouvidas de meu pai, lá no Sapucuá, lindo lago de Oriximiná, Pará, onde nasci.

                Pelo que ouvi e pelo que vi, agora concluo que realmente Belém é uma terra grandiosa com forte carga energética, onde talvez esteja a resposta heróica para a força do povo que a habita. É uma gente formidável, que a cada dia se regenera e se recarrega para a luta diária e para a vida, resultando nesta terra onde se tenta conseguir sempre derrotar as peias de todos os cantos e da forte dose preconceituosa herdada e ainda alimentada por poucos, felizmente.

                Mas qual! Quem tem uma vida ligada à natureza, presente de maneira fantástica pela abundância das nossas águas e florestas, de onde recolhemos tanto alimentos, não pode e nem deve se acovardar. Habitante da floresta, é o que somos, é ser intrépido e arrojado. Sabe o papel que representa para o Brasil e para o mundo, porque sabe que é parte integrante desta grandiosa terra.

                Quem ainda não apreciou o delicioso cupuaçu, bacurí, açaí, bacaba, tucumã, uxi, jaca, mari-mari, graviola, piquiá, patauá, abricó, e saboreou o tucunaré, tambaqui, pirapitinga,  filhote, pacú, acarí, pescada, tamuatá, matrinchão, traíra, surubim? e uma boa piranha? Assim como se pergunta quem ainda não apreciou o pato no tucupi, àquele tacacá e assistiu o Círio de N. Sra. de Nazaré ou a ele se integrou? Também ninguém. E quem não conhece o Ver-O-Pêso?

                Não estará nessa igualdade, a união do belenense e sua integridade de idéias, a grande magia do povo, que mesmo vítima de enganos, tem sabido lutar e vencer a tudo e a todos. Assim é esta Belém, que dorme às vezes desanimada e triste, mas que renasce com a alvorada e abençoado com o belo sol do equador, já no aguardo das frescas noites que a todos envolve de uma paz interior fantástica, mesmo à sombra da insegurança que a cada instante mais nos afronta.  Deus é maior que todos os dissabores que nos atormentam e com a nossa fé inquebrantável em N. Sra. de Nazaré continuamos o dia seguinte, nos protegendo do forte calor, ora saboreando um delicioso sorvete ou nos encobrindo das intempéries sob nossas frondosas mangueiras.



Escrito por João Augusto Oliveira às 17h58
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O novo Estado - Tapajós?.

Já vir denominado como "Tapajós" tendo como capital "Santarém". Quem decidiu? A Assembleia Legislativa? Não! Ao que se sabe não houve nenhuma consulta sobre nomes,  verdade?

Já nasceremos recebendo "prato feito"?  Concordamos com tudo. Mas, porque não Estado do Rio Mar ou do Baixo Amazonas? Não seriam mais abrangentes? E a Capital Santarém, (nada contra a nossa querida Santarém) há consenso? Se for pelo fato de ter ligação (ainda precaríssima) com o Centro e Sul do País, poderemos contra argumentar que Oriximiná e todos os demais Municípios à margem esquerda do Rio Amazonas  são limítrofes com as antigas Guianas cujas fronteiras continuam totalmente desguarnecidas, existindo apenas uma referencia que é Tiriós, salvo engano.  Aliás, sobre isto eu fui entrevistado em 1963, por jornais de São Paulo e pela saudosa Folha do Norte e até hoje, podemos até mesmo dizer graças a Deus, a vasta região fronteiriça continua com a sua flora e fauna, seus campos gerais intocados, até seu subsolo ainda é inexplorado, salvo uma lasca deixada nas terras já do Amapá, naturalmente que as “pesquisas” de gente que vem de longe, correm soltas.

Nessa área sim, é que deveria ser localizada a futura Capital moderna e dando, na sua estruturação, exemplo de respeito à natureza, sustentabilidade sem agressão e danos à natureza, etc., Sobre meio ambiente, aliás, eu pouco entendo, já que conheço mesmo é TODO O AMBIENTE,  Assim haveria a ocupação efetiva de uma imensa  área  do setentrião  pátrio,  riquíssima e fazer surgir um núcleo que nos orgulharia e serviria de exemplo.

E Óbidos, porque não? Ficaria bem central para todos. Não devem conhecer a sua história, sua localização, a sua vigor intelectual e patrimônio histórico, razão da sua forte presença na literatura e  cultura do Brasil, tendo inclusive dois dos seus inesquecíveis filhos, como fundadores da Academia Brasileira de Letras do Brasil: José Verissimo e Inglês de Souza. e a importância de Óbidos para o Pará e Brasil. Bem, falar sobre Óbidos desde o povoado Pauxis é algo de fantástico.

Que venha outro Estado, mas sem ficarmos excluídos (usando o termo em moda) do que se pretende fazer e a participação dos Municípios à margem esquerda do grande Rio Mar. O nosso desejo, está simbolicamente representado pelo que se conhece como a garganta do Amazonas, precisamente em frente de Óbidos. É esta “garganta”, que está seca de “engolir” tantas promessas, ainda podemos até mesmo lembrar que Óbidos tem a denominação de antigas fortificações como Serra da Escama, o que tão bem representa para a nossa região, as escamas que ficam dos nossos “peixes” que também são alvos de “estrangeiros”. Estamos alerta!



Escrito por João Augusto Oliveira às 14h26
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Há 15 anos publiquei, a matéria abaixo que trazia a seguinte chamada na edição de 18 de agosto de 1996 do Jornal Voz de Nazaré:

 

 

“Os leitores devem dar olhada no artigo do jornalista João Augusto de Oliveira, (Círio de Santo Antônio), que a partir de agora passa a colaborar com as edições da Voz de Nazaré. Além de jornalista “sem diploma”, e católico praticante, o nosso colaborador, que é natural do lago Sapucuá, Município de Oriximiná é advogado (OAB/Pa – Inscrição J-284) e “relações púbicas”, com vários cursos de aperfeiçoamento e extensão em Belém e alguns estados da Federação, além de ex-deputado estadual, federal e 1º suplente de Senador. João Augusto é membro da Academia Paraense de Jornalismo, membro do Conselho Diretor da Sucesu/Pa e atualmente exerce as funções de diretor-presidente da Loteria do Estado do Pará. Seja Benvindo”.

 

Círio de Santo Antônio

 

 

Oriximiná-Pa, nossa querida terra, no primeiro domingo de agosto de cada ano, assiste talvez um dos eventos mais expressivos de fé católica, com a realização do Círio fluvial em homenagem a Santo Antônio padroeiro do município e do seu povo.

Neste ano de 1996, realizado foi o 50º Círio, ou seja, completou Bodas de Ouro, um magnifico acontecimento. Milhares de fiéis se deslocam até a cidade de Oriximiná, a “Princesa do Trombetas”, para cultuar, reverenciar Santo Antônio e assistir a festa do Círio que é extraordinária!

Sábado, véspera do Círio, os fiéis promovem a transladação da imagem até a Capela do Aimim, no Rio Nhamundá, a pouca distancia da Cidade. De lá, no domingo, a partir das 18:00hs, sai a procissão fluvial, com dezenas de embarcações caprichosamente ornamentadas, que encantam até aos mais exigentes críticos.

Dando partida, a procissão traz a sua frente a mais bela e mais bem ornamentada embarcação, conduzindo a imagem de Santo Antônio. É alguma coisa de espetacular. No crepúsculo do dia, a multidão que se aglomera na orla da cidade, começa a divisar as luzes das embarcações que saindo do rio Nhamundá, bem em frente da cidade, começam a navegar já em águas do Rio Trombetas, ocasião em que são soltadas as “barquinhas” velas  sob pedaços de madeiras com cercaduras de papel colorido, formando assim, para quem está a frente a cidade, a visão de uma toda iluminada, a margem oposta do rio Trombetas, É belo! Magnífico!É um espetáculo tocante.

Toda esta beleza, graças a ornamentação caprichosa recebida pelas embarcações feita com muito esmero, criatividade e dedicação, parte de um grupo de oriximinaenses, com grandes pendores para as artes, que com muitas abnegação, fé e amor à terra, se doam integralmemente para este grande acontecimento, que se destina a homenagear o glorioso Santo Antônio.

Tomando o Rio Trombetas de embarcações ornamentadas e de milhares de “barquinhas” iluminadas, ao sabor da correnteza das plácidas águas do rio, formando está, todo o imaginário e todo o tributo de um povo, ao seu padroeiro, que é venerado desde a fundação da cidade.

Padre José Nicolino de Souza, filho do Município de Faro, quando subiu o Rio Trombetas fundou com o nome Santo Antônio do Uruá Tapera, dia 13 de junho de 1877, um povoado, depois elevado à vila e posteriormente a Municipio, com o nome de Oriximiná. Santo Antônio assim. é nosso padroeiro e protetor desde o nosso surgimento.

Sob cânticos, orações, sons de bandas musicais e vivas Santo Antônio, o povo se comprime na Rua 24 de Dezembro, frente para o Rio Trombetas homenageando a Santo Antônio, que também em Oriximiná é de grande popularidade.

Os fiéis nas embarcações e os que estão em terra, se confundem não só no sentido de religiosidade e fé cristã, mas também estupefata fica com tanta beleza.

Agora, entram também os fogos de tiros e cores, soltados das embarcações e da cidade, enquanto a procissão fluvial faz evoluções para a atracação. É lindo! É magnífico! Égrande e maravilhosos.

Enquanto isso a “cidade iluminada” representada pelas “barquinhas”, soltas ao longo do Rio Trombetas, vagarosamente, descem o rio com a pouca correnteza, graças ao vento “terral” desta época do ano.

Atracadas as embarcações, misturam-se os fiéis que desembarcam e os que estão ávidos em terra esperando e é formada a procissão, que com grande multidão, percorre ruas, levando Santo Antônio, o milagreiro, casamenteiro, achador de coisas perdidas, etc... como queiram, mas o amigo inseparavél de Jesus que vai até a Praça Santo Antônio, onde está a Igreja Matriz, para a missa campal celebrada pelos nossos dedicados padres, que em palavras sempre oportunas e fluentes, transmitem ao povo a palavra de Deus, as Boas Novas do Evangelho.

Durante 15 dias, os festejos em homenagem a Santo Antônio continuam. Mas a marca maior mesmo, é a deixada pelo Círio. Somos daqueles que teve a ventura de assistir a quase todos nestes últimos 50 anos, inclusive o de 1964, quando inaugurei a Praça Santo Antônio cujo a festa presidi. E a cada ano o Círio é mais bonito, deslumbrante que o do ano anterior. Que Santo Antônio continue a proteger Oriximiná e seu povo, abençoando e afastando da querida terra todos os males. Viva Oriximiná! Viva Santo Antônio! Viva o Povo de Deus!



Escrito por João Augusto Oliveira às 18h11
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SINTO VERGONHA DE MIM

Republico aqui, a linda poesia de Cleide Canton que traduz com tristeza a que ponto chegamos. Este poema circula na forma de slide dando crédito a Rui Barbosa, mas na verdade dele  apenas a citação no final é de sua autoria.

SINTO VERGONHA DE MIM

Cleide Canton
http://www.paginapoeticadecleidecanton.com/sintovergonha.htm

Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!


***

"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".

(Rui Barbosa)



Escrito por João Augusto Oliveira às 21h40
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Belém querida, um grande abraço, pelos teus 395 anos "Nequaquam Mínima Est- De modo algum és a menor", Parabéns deste oriximinaense que recebeste de braços abertos

João Augusto Oliveira



Escrito por João Augusto Oliveira às 18h05
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ORIXIMINAENSE É O NOVO PRESIDENTE DO CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA!

João Augusto Oliveira
Notícia boa para começar o ano. João Augusto Oliveira, ex-prefeito de Oriximiná e candidato ao Senado pelo PSOL nas ultimas eleições assumirá a presidência do Conselho Estadual de Cultura. Mais um título merecido que se agrega ao extenso currículo de João. Parabéns do Blog!!!
Breve Currículo - Nascido em Oriximiná, Lago Sapucuá (1936), no Baixo-Amazonas, possui longa trajetória na luta política paraense. Foi prefeito de Oriximiná (1963-1966), deputado estadual por dois mandatos (1967/1971 - 1975/1979), Presidente em exercício da A. Legislativa, Deputado Federal e 1º suplente de senador (1995-2003).
Advogado e Relações Públicas, João Augusto é membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Literária Interiorana, ocupando a cadeira de nº 14, da Comissão Paraense de Folclore, atual Centro Paraense de Estudos de Folclore, além de ocupar a cadeira Nº 35, como sócio efetivo, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará.
Retirado de: Blog do Ariuca


Escrito por João Augusto Oliveira às 17h59
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